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Radar A de Agro – novembro

Atualizado: 11 de jun.






SECA ATRASA PLANTIO DE SOJA NO MATO GROSSO

A falta de chuvas nas regiões Cento-Oeste e Norte do Brasil e o excesso de precipitações na região Sul, atrasam as operações de plantio de soja.

De acordo com a última atualização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 21 de outubro, os trabalhos de semeadura haviam avançado em pouco mais de 28% do total, em comparação aos 34% no mesmo período do ano passado.

Os estados mais avançados na semeadura da soja são Mato Grosso, São Paulo e Paraná. Contudo, os produtores de Mato Grosso estão preocupados com as altas temperaturas nas lavouras, que ultrapassam os 44 graus e levam à necessidade de replantio em algumas áreas.

Em outros casos, o adiamento das atividades evitará mais prejuízos. Segundo a Aprosoja Mato Grosso, este cenário atrasa o desenvolvimento da soja e pode comprometer futuramente o plantio do milho segunda colheita na região, deixando uma janela muito curta para as operações.

Em Sorriso, Mato Grosso, as operações atingiram pouco mais de 50% nas últimas semanas, contra 65% na colheita passada.

Em Santa Catarina as chuvas intensas estão dificultando a semeadura, que atualmente está em 12% contra quase 16% no mesmo período em 2022.

Os efeitos climáticos podem afetar a produtividade e implicar em mais custos na colheita 2023/2024, em caso de replantio. Além disso, a cotação da soja em Chicago está entre 12 e 13 dólares o bushel. Já o dólar, que dá suporte à venda da soja, está desvalorizando.

A previsão, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central, é de que o câmbio feche o ano em R$ 5, portanto, o produtor deve receber menos reais por saca de soja.

BRASIL DEVE PRODUZIR MAIS FARELO DE SOJA E TER MAIOR CONCORRÊNCIA DA ARGENTINA


O Brasil deve aumentar a produção de farelo de soja. O maior esmagamento do grão para atender, principalmente, a demanda de óleo para produção de biodiesel, elevará também a quantidade do derivado. E, enquanto o mercado interno tende a seguir abastecido, as exportações podem estabilizar ou até diminuir, apontam relatórios do governo brasileiro e de instituições privadas.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção de farelo de soja em 42,1 milhões de toneladas na colheita 2023/24. Na temporada 2022/23, o volume produzido foi de 40,4 milhões. O consumo interno foi estimado em 19 milhões de toneladas. Na temporada passada, foram 18 milhões.

Mato Grosso é o principal produtor do Brasil e o Paraná, o principal consumidor, segundo dados do Itaú BBA.

“O aumento do esmagamento no Brasil eleva a oferta do derivado, acarretando adição da capacidade de exportação e favorecendo, sob a ótica dos custos, a produção de carnes”, avalia o Itaú BBA. “Para 2023/24, o mercado projeta a continuação do crescimento da oferta no mercado doméstico, o que deixaria o balanço ainda mais folgado”, acrescenta.

RELAÇÃO DE TROCA – CENÁRIO MENSAL

Sabemos que até este momento a guerra no Oriente Médio não trouxe nenhum impacto nas cotações dos fertilizantes ao redor do globo. Contudo, os preços dos fosfatados continuam bem firmes no interior do Brasil. Além da geopolítica global, precisamos também acompanhar o que está acontecendo em nosso país, afinal, estamos vendo a janela de compras cada vez mais curta.

Nos últimos vinte dias, considerando Rondonópolis, no Mato Grosso, o fosfatado monoamônico (MAP) subiu cerca de 8,0%, ou seja, US$50/t. Para o milho safrinha (2ª colheita) de 2024 preços acima de US$700/t.

O principal ponto é que enquanto o preço dos fertilizantes está subindo, o milho não dá nenhum sinal de aumento. Isso afeta ainda mais o poder de compra dos produtores. Mesmo sem os impactos da guerra, a relação de troca atual entre o MAP e o milho é 19% superior à média dos últimos cinco anos.

Neste momento o ponto crítico a ser destacado é que cerca de 60% do mercado de fertilizantes para o milho 2ª colheita de 2024 em aberto. A média para este período seria algo entre 32% e 35% em aberto. No caso das sementes, temos mais de 65% das compras que precisam ser feitas, representando um atraso bem significativo.

EL NIÑO – CENÁRIO MENSAL

O início da colheita agrícola 2023/2024 será influenciado pela fase quente do El Niño Oscilação Sul (ENOS), fenômeno climático natural de grande importância no mundo. Dada a sensibilidade da agricultura às variações climáticas, é essencial compreender como o El Niño pode alterar as condições climáticas e, consequentemente, impactar a produção agrícola brasileira.

Normalmente, em anos de El Niño, é comum observar o aumento da disponibilidade hídrica no centro-sul do Brasil, o que tende a beneficiar as culturas de grãos, como a soja e o milho primeira colheita. No entanto, o excesso de chuva na Região Sul pode aumentar a umidade e a severidade de doenças em plantas, exigindo maior vigilância e cuidados no monitoramento e manejo das culturas.

Já em áreas do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a redução dos níveis de água no solo pode resultar em perdas significativas de produtividade. No Brasil Central, a irregularidade da chuva também pode dificultar o manejo agrícola e afetar a produtividade.

Vale ressaltar que nem todo evento do El Niño leva a impactos típicos, e variações significativas podem ser observadas. Essas variações dependem da configuração e intensidade específicas de cada fenômeno El Niño, bem como de uma série de fatores locais e regionais. Estes incluem outros sistemas meteorológicos e padrões de teleconexão que podem interagir com o ENOS, modulando seus efeitos.

O El Niño Oscilação Sul (ENOS) é caracterizado pela interação entre a atmosfera e o oceano, no Pacífico Equatorial, e possui duas fases distintas: o El Niño (fase quente), associada ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, e a La Niña (fase fria), vinculada ao resfriamento dessas águas. Ambas as fases têm o potencial de influenciar significativamente nos padrões climáticos ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

Depois de quase três anos sob as condições do fenômeno La Niña, que perduraram até março deste ano, o panorama climático mudou drasticamente. As águas do Pacífico Equatorial aqueceram rapidamente nos meses subsequentes, e, em junho, foi oficialmente confirmado o início das condições do El Niño.

Desde então, a intensidade tem variado de fraca a moderada, com anomalias da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) oscilando entre 0,9°C e 1,3°C até o mês de agosto. No entanto, em setembro/outubro, as anomalias de TSM apresentaram valores em torno de 1,5°C, indicando uma possível evolução para uma classificação mais intensa do fenômeno. Contudo, para consolidar essa classificação, é essencial que as temperaturas se sustentem nesse patamar elevado nos próximos meses.

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